quarta-feira, 24 de agosto de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
P(h)oder
Quando minha cachorra começa a me emputecer e eu perco a paciência, eu a ameaço e ela abaixa a cabeça e coloca o rabo entre as pernas. E eu me sinto poderoso como a Igreja Católica.
Outras vezes, só pra provocá-la enquanto eu estou comendo alguma coisa, por prazer mas mais por maldade, eu finjo que vou dar um pedaço pra ela e quando ela está prestes a abocanhar... a comida já está na minha boca. E eu me sinto poderoso como o Estado.
E ainda tem vezes que eu pego a bolinha que ela tanto gosta e fico lançando de mão em mão, de pessoa a pessoa, sem com que ela consiga sequer chegar perto dela. Eu me sinto poderoso como a Alta Sociedade.
Mas quando eu passeio com ela algumas vezes e ela diminue os passos e as patinhas traseiras se dobram e ela defeca sem licença nem cerimônia e eu, humildemente me ajoelho e recolho os excrementos da pobre coitada... Nessas vezes, meu amigo, nessas vezes eu me sinto ordinário como um ser humano.
Outras vezes, só pra provocá-la enquanto eu estou comendo alguma coisa, por prazer mas mais por maldade, eu finjo que vou dar um pedaço pra ela e quando ela está prestes a abocanhar... a comida já está na minha boca. E eu me sinto poderoso como o Estado.
E ainda tem vezes que eu pego a bolinha que ela tanto gosta e fico lançando de mão em mão, de pessoa a pessoa, sem com que ela consiga sequer chegar perto dela. Eu me sinto poderoso como a Alta Sociedade.
Mas quando eu passeio com ela algumas vezes e ela diminue os passos e as patinhas traseiras se dobram e ela defeca sem licença nem cerimônia e eu, humildemente me ajoelho e recolho os excrementos da pobre coitada... Nessas vezes, meu amigo, nessas vezes eu me sinto ordinário como um ser humano.
domingo, 22 de maio de 2011
Poema feito em algum lugar no ano 2000
Sou a antítese de tudo que existe
Sou a dimensão aberta
de um mundo em alerta
Sou o prefácio da vida
Sou o posfácio da morte
Sou teu azar
E tua sorte
Sou um detalhe no quadro
Que te deixa louco
O pouco torto
Que desnivela o todo
Sou o arrepio o da presa
e o acidente da pressa
Numa guerra fútil
sou teu fuzíl
E onde quer que pare
Repare: me viu.
Tenho de tudo um pouco
Nessa reza duvidosa
E de nada
Nada temo,
Porque até o tempo
Tenho também de sobra.
Sou a metamorfose de Kafka
Um outro monstro que aqui ficava
Sou o ciúme pelo irmão.
A fome pelo pão
Sou o epicentro da destruição
E o nome de Deus em vão.
Sou o sangue escorrido
O corpo morto erguido
A navalha que lhe abre o pescoço
Sou a fratura que expõe o osso
Sou a língua abrindo caminho
Pois sou Babel caindo
Sou aquele que rosna no seu armário
O defunto escondido entre o rosário
O sangue rubro que lhe aquece o nervo
O poema mal feito do bêbado.
Sou a dimensão aberta
de um mundo em alerta
Sou o prefácio da vida
Sou o posfácio da morte
Sou teu azar
E tua sorte
Sou um detalhe no quadro
Que te deixa louco
O pouco torto
Que desnivela o todo
Sou o arrepio o da presa
e o acidente da pressa
Numa guerra fútil
sou teu fuzíl
E onde quer que pare
Repare: me viu.
Tenho de tudo um pouco
Nessa reza duvidosa
E de nada
Nada temo,
Porque até o tempo
Tenho também de sobra.
Sou a metamorfose de Kafka
Um outro monstro que aqui ficava
Sou o ciúme pelo irmão.
A fome pelo pão
Sou o epicentro da destruição
E o nome de Deus em vão.
Sou o sangue escorrido
O corpo morto erguido
A navalha que lhe abre o pescoço
Sou a fratura que expõe o osso
Sou a língua abrindo caminho
Pois sou Babel caindo
Sou aquele que rosna no seu armário
O defunto escondido entre o rosário
O sangue rubro que lhe aquece o nervo
O poema mal feito do bêbado.
O grande bezerro de ouro
Moldado em ouro de tolo
Grande, falso e cultuado.
Em wall street e no mundo todo.
Sou a serpente pecadora
Que te ensina a soma
Sou o coito forçado
o mal que vem disfarçado
A ação da esquizofrenia
Enquanto seu outro eu ria...
Eu sou o fim da rima
E o fim da poesia.
Moldado em ouro de tolo
Grande, falso e cultuado.
Em wall street e no mundo todo.
Sou a serpente pecadora
Que te ensina a soma
Sou o coito forçado
o mal que vem disfarçado
A ação da esquizofrenia
Enquanto seu outro eu ria...
Eu sou o fim da rima
E o fim da poesia.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Quem sou
Tenho 0,25 de astigmatismo no olho esquerdo e 0,50 no direito (o que aliás me deixa prostituto da vida, por que eu tenho problemas com assimetria), tenho 115 de Q.I., segundo um teste seríssimo realizado pela internet, sou letárgico e confuso, sofro de transtorno obsessivo compulsivo, mas estou me tratando, para quem não sabe é aquela doença que faz com que você pareça estar assentando azulejos portugues ou pulando amarelinha na maior parte do seu tempo por que senão alguém querido morre, nas horas vagas eu vivo. Tenho fobia social (também conhecido como "caipirice patológica"): se eu falo em público minha traquéia começa a fechar e eu começo a morrer...
Meu equilibrio emocional sofre de labirintite.
Sou desastrado, coordeno meus movimentos tão bem quanto coordeno um trator.
Quando estou sozinho tento mover as coisas com o poder da mente (embora tenha parado depois de quase sofrer um aneurisma), mas acredito que Deus não daria um poder desses para uma pessoa como eu, eventualmente eu acabaria usando pra fazer graça num happy-hour qualquer...
Vivo dando bola fora e só percebo isso quando me contam ou quando surgem as consequencias, as vezes sinto que ganhei meu bom senso como premio de consolação em uma partida de bingo de 5ª. Tenho dislexia e "lápsos" de disturbio de concentração, sou acrofóbico. Estou com depressão pós-parto, nunca mais fui o mesmo desde quando minha mãe deu a luz a mim.
Fiz 3 anos de escola de futebol e só marquei um gol (contra), acabei sendo promovido gandula, eu não nasci pra viver.
Sou o tipo de pessoa que meus pais falam pra eu não andar junto. Odeio futebel, adoro história, literatura, arte, poema, enfim, acho que vou devolver meu pinto pra Deus, por que eu não tô mais conseguindo ser homem. Minha infancia foi razoavelmente infeliz (pelo menos é assim que eu me lembro dela) e meu maior medo quando era criança era de insetos parasitas em particular do Barbeiro, se pudesse passava a infância com uma roupa de apicultor, não possuo uma auto-estima exemplar, sou paranóico e possuo diferentes tipos de neuroses. Adoro crianças, embora elas tenham medo de mim (e eu delas). Converso com objetos inanimados e comigo mesmo mais do que com pessoas e ocasionalmente acho que estou com alguma doença séria, mas não sou hipocondriaco, hipocondria não é doença séria. Não gosto o bastante de mim para sentir pena de mim mesmo. Costumo confundir creme de leite com leite condensado e um dos maiores mistérios da vida pra mim é saber se devo ou não devo dar gorjeta pro sacoleiro no supermercados e por que plano de saude não cobre tomografia. Tenho pânico de 3 frases que eu espero nunca ouvir na vida: "Eu não te amo mais...", "você está preso..." e "é maligno..." e até pouco tempo atrás "acabou a cerveja".
Tenho um grande medo da morte, morrer é a última coisa que eu quero na vida e ela só vai me levar por cima do meu cadaver!
Odeio piadas sobre "pavê", conversas sobre o clima, pessoas que dizem uma verdade irrelevante sobre outra e ainda quer pagar de genuína e diz "desculpa aí pela honestidade" quando na verdade foi um babaca, filmes cujo protagonista é um cachorro, filmes cujo protagonista é um cachorro que FALA!
Minha meta na vida é poder transformar meus problemas em experiencias, mas são minhas experiencias que se transformam em problemas.
Mas apesar dos pesares sou feliz quando me permito e a vida algumas vezes é insuportavelmente maravilhosa, apesar de que na maioria das vezes pareça mais um concurso de idiotas (não que eu também não esteja participando).
Minha vida é, na medida em que Deus permite, do jeito que o Diabo gosta...
Sou uma pessoa irritantemente legal, mas já me peguei sendo egoista, arrogante, mentiroso, prepotente, me achando melhor do que muita gente. Gente da qual sou farinha do mesmo saco. E hipócrita. Mas quem me disser que nunca foi estará sendo de novo assim que terminar a frase.
E por fim, procuro uma mulher com a auto-estima parcialmente dilacerada, alguém com quem eu me sinta 89% à vontade e que fique bem de moleton para relacionamento sério...
Ou... talvez eu não seja nada disso.
Talvez eu esteja preso a uma lembrança, como a uma carapuça carcomida pela acidez da memória de algum outro que fui. Mas o que importa neste momento inevitável em que nos encontramos é saber:
E você? Quem você pensa que você é?
domingo, 25 de maio de 2008
Serial Killer
Há um serial killer no denso bosque americano, ele usa gravata borboleta, óculos de grau e sorri claras intenções.
Colecionador de sangue e sabores. Cru e seco. Embriaga-se do suco do vinho, até o embrião de Dionísio, ou à constelação mais próxima. Ali fica a latente tentação até o dobrar da maçaneta.
Ele construiu o sussurro graças à sugestão de um deus satânico e a morte passou a brotar de dentro para fora.
Há um serial killer nas veias que se abriram, nos caminhos turvos, nas esquinas, nos muros, na rima.
Quem está pra lá deste muro nunca carregou tijolos
Ofereço todo o sacrifício que não seja o meu. O demônio que guardo no bolso não pede nada além dos vícios que me esvaziam. Eis meu sacrifício.
Homenageio os mortos com papel alumínio e minha saliva grossa é o louvor de uma vida que se interrompeu na minha.
Aprendi a dança da morte para poder festejar sobre os túmulos dos submersos. Aprendi a temer os vivos um tanto mais que temia os mortos.
Desumano é ofensa. Desumano é elogio.
O tridente do Diabo arranha-céus. Uma cidade me engasga entre um soluço e outro. Os escapamentos dos carros simulam tiros. Policiais simulam tiras e atiram.
Padres com Deus no ego mastigam palavras bíblicas disputando com putas a carne e a alma no mercado de pulgas.
Sodoma e Gomorra Inc. ejaculam a pornografia de Hollywood sobre o mundo. O velho testamento será herdado aos senhores agora.
O matador paira no ar, suspenso sobre os continentes. É mais um cristão anti-cristo, como todos são.
Os quatro cavaleiros do Apocalipse estiveram sempre à nossa mercê. Terra. Fogo. Vento. E água. A natureza é um equilíbrio fino como um horizonte aberto. E agora rasgado.
O efeito borboleta em larga escala alaga casas.
O horóscopo abre um dia novo em folha traçando o percurso para os doze diferentes tipos de seres humanos existentes. Com eclipsa precisão.
Mcdonald`s, mendigos e astronautas disputam o espaço deixado pelo vazio entreaberto dos dissabores. A morte é arte pós-moderna. A natureza morta imita a vida moribunda distribuída nos bares, aos pares para homens ímpares e impuros.
Linhas aéreas enjaulam antigas histórias de estrelas, contos maias engaiolados.
O som de um saxofone se perde na noite e é encontrado morto na aurora. Nosso assassino tem as proporções do ar e dentes de concreto armado contra o céu frio de nossas bocas e nos entope até as artérias. Ele trafega ofegante no seio do sonho americano. O peso do norte tira o mundo dos eixos.
De Auschwitz à Guantánamo ele é uma legião cega pelo consentimento de nossos gestos, tricotado pela cumplicidade de nossos dedos.
No final das contas quem paga a conta?Quem enterra o coveiro?
terça-feira, 18 de março de 2008
Legado
Vão tentar te convencer de certas coisas que alfinetam o íntimo,
Dirão por exemplo que uma árvore não tem alma, mesmo ela se desmembrando com o amor da fruta
Irão desconfiar de sua inquietude, mesmo que sua inquietude for fruto da desconfiança alheia
Caluniarão seu nome como se seu nome fosse substancia viva que acalanta o seu eu
Lembre-se: esqueça
Crie seu ritual de abstração
Dê a outra face ao impacto do tapa para que a vermelhidão simétrica da cara seja a vergonha de quem estapeia
Tateie sua superfície
Saboreie sua arquitetura
Invente movimentos para seu terreno até se quebrar, para que o milagre da destruição te regenere
Chore de tanto rir
Ria de tanto chorar
Lambuze-se
Ridicularize-se, ninguém zombará de você melhor do que você mesmo
Invente cores
Invente nomes
Invente invenções
Seja o deus que Deus te deu
Pronuncie verbos com gestos
Olhe nos olhos e apalpe uma alma
Ame com paixão de ódio
Distribua o seu instrumento mais intimo, até mesmo pra você é empréstimo
Beije na testa sua imagem no espelho
Exercite o impossível até que se torne provável, aí prove o contrário
Nunca se leve a sério em demasia
Invente uma oração para seu umbigo 3 vezes por semana até que ele saia de sua reentrância e lhe faça louvações egocentricas
Enlouqueça com imprecisão
Pratique uma insanidade logo pela manhã e estique seu chilique ao longo do dia
Faça algo detestável só pra sentir o gosto
Toque com carinho para gozar de sua ternura
Não dê ouvido aos Domingos
Faça vinagre de seu rancor e sirva a mesa
E nunca, em hipótese alguma, peças às estrelas aquilo que você deixou de pedir ao sol
E lembre-se: o difícil é fácil, o impossível é que é difícil
Crie seu próprio absurdo, a voz da razão não pertence a ninguém
Corra tão rápido a ponto de seu nome se desprender de você e cair, quem sabe ele não vira o nome da rua em que você se encontra?
Dirão por exemplo que uma árvore não tem alma, mesmo ela se desmembrando com o amor da fruta
Irão desconfiar de sua inquietude, mesmo que sua inquietude for fruto da desconfiança alheia
Caluniarão seu nome como se seu nome fosse substancia viva que acalanta o seu eu
Lembre-se: esqueça
Crie seu ritual de abstração
Dê a outra face ao impacto do tapa para que a vermelhidão simétrica da cara seja a vergonha de quem estapeia
Tateie sua superfície
Saboreie sua arquitetura
Invente movimentos para seu terreno até se quebrar, para que o milagre da destruição te regenere
Chore de tanto rir
Ria de tanto chorar
Lambuze-se
Ridicularize-se, ninguém zombará de você melhor do que você mesmo
Invente cores
Invente nomes
Invente invenções
Seja o deus que Deus te deu
Pronuncie verbos com gestos
Olhe nos olhos e apalpe uma alma
Ame com paixão de ódio
Distribua o seu instrumento mais intimo, até mesmo pra você é empréstimo
Beije na testa sua imagem no espelho
Exercite o impossível até que se torne provável, aí prove o contrário
Nunca se leve a sério em demasia
Invente uma oração para seu umbigo 3 vezes por semana até que ele saia de sua reentrância e lhe faça louvações egocentricas
Enlouqueça com imprecisão
Pratique uma insanidade logo pela manhã e estique seu chilique ao longo do dia
Faça algo detestável só pra sentir o gosto
Toque com carinho para gozar de sua ternura
Não dê ouvido aos Domingos
Faça vinagre de seu rancor e sirva a mesa
E nunca, em hipótese alguma, peças às estrelas aquilo que você deixou de pedir ao sol
E lembre-se: o difícil é fácil, o impossível é que é difícil
Crie seu próprio absurdo, a voz da razão não pertence a ninguém
Corra tão rápido a ponto de seu nome se desprender de você e cair, quem sabe ele não vira o nome da rua em que você se encontra?
Assinar:
Postagens (Atom)